terça-feira, 4 de outubro de 2011

Afastamento de Rafinha Bastos do “CQC” abre discussão sobre limites do humor

Por José Armando Vannucci:

O afastamento de Rafinha Bastos da bancada do “CQC” abriu uma importante discussão sobre os limites do humor. A emissora resolveu advertir o humorista após a péssima repercussão da piada ao vivo no programa envolvendo a cantora Wanessa Camargo. Rafinha disse que “comeria a Wanessa e o bebê”, o que gerou muitos protestos entre o público, familiares da cantora, artistas, celebridades e até integrantes do “CQC”, como Marcelo Tas e Marco Luque. A grosseira frase foi interpretada como uma agressão à condição feminina e um desrespeito a maternidade. E esta não foi a primeira a gerar polêmica. Rafinha já teve problemas com piadas sobre mulheres vítimas de violência sexual.

Será que Rafinha passou do limite ao falar sobre Wanessa? Qual é o limite do humor? É possível fazer graça sem ofender direitos? Essas são apenas algumas das questões presentes na discussão que foi aberta com a decisão da Band. Humoristas afirmam que está cada vez mais difícil fazer piada num mundo politicamente correto, onde nada pode ser dito, e garantem que textos exagerados e aparentemente incorretos com as minorias podem ajudar no combate aos preconceitos. Já o público, principalmente na TV, se mostra incomodado em muitas situações. É claro que ninguém defende censura ou controle das piadas, mesmo porque vivemos num país democrático que garante a liberdade de expressão, mas está na hora de muita gente pensar nos limites do que é agradável e a partir de onde começa a ofensa. É sim possível fazer humor sem palavrões, desrespeito e polêmicas. É sim possível fazer graça com os tabus de nossa sociedade. Para tudo é preciso criatividade, equilíbrio e inteligência para se comunicar da melhor maneira possível com seu público. É preciso também manter sob controle a vaidade do artista que acha que pode tudo porque se transformou em referência nas novas mídias e tem o seu nome citado no mundo inteiro. É tudo muito delicado e perigoso. Se de um lado se ultrapassa o limite, do outro pode haver um exagero em tentar calar quem fala. Mais uma vez, a necessidade do equilíbrio. E ninguém pode esquecer que, quando desrespeitado, o público simplesmente deixa de prestigiar quem um dia fez sucesso. Que todos assumam suas responsabilidades.

Essa discussão não termina aqui. Vai muito além e sempre com opiniões divididas. É importante analisar também o que pode ser veiculado na TV e explorado num palco durante o show do humorista. E tenho certeza que piadas não recomendadas na TV são inofensivas no teatro porque em cada lugar há uma intensidade e envolvimento do público.

José Armando Vannucci e colunista da Rádio Jovem Pan AM e do blog Parabolica



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